Resenha: Pode Beijar a Noiva

Título: Pode Beijar a Noiva
Autor(a): Patricia Cabot
Editora: Essência
Número de páginas: 240
Classificação: 3/5

Sou uma grande fã dos livros da Meg Cabot, desde a minha adolescência que eu sempre venho procurando comprar algumas de suas obras (o preço dos livros são bem caros, então não é sempre que dá), ainda mais se tratando os livros que ela escreve sob o pseudônimo de Patricia Cabot. Tenho um fraco por eles. Sendo assim precisei comprar "Pode Beijar a Noiva", um livro que eu estava desejando há séculos.

"Quando tudo parece estar perdido para Emma Van Court, que acaba de se tornar viúva, a promessa de uma grande fortuna lhe cai dos céus. Mas há uma condição para abocanhar a herança: ela terá de se casar novamente. Como não se especificou o noivo, todos os homens da pequena Faires, na Escócia, resolvem participar dessa corrida do ouro e passam a disputar as atenções da jovem viúva.
Os competitivos pretendentes só não contavam com a presença de James Marbury, primo do falecido marido, Stuart, que chega ao vilarejo para ajudar Emma com os trâmites do inventário. No passado, os dois tiveram uma aproximação, e James ainda nutre fortes sentimentos pela, agora, viúva.
Conseguirá ele afastar a horda de interesseiros pretendentes e finalmente se juntar à sua amada?"

Algumas pessoas são capazes de cometer certas loucuras em nome do amor, não? Emma Van Court sabe muito bem como é isso. Há um ano atrás ela fugiu da Inglaterra, deixando a casa de seus tios e todos que conhecia para trás para poder se casar com o seu grande amor desde a infância: Stuart Chesterton. Eles foram morar em Faires, uma ilha isolada no meio do Mar do Norte, na Escócia. A nova vida que levavam era cheia de dificuldades, uma vez que Stuart ganhava um péssimo salário com o seu trabalho como Cura. 

O que Emma não podia imaginar era que os problemas de sua nova vida estavam prestes a piorar com a chegada da epidemia de Tifo à ilha. A jovem mulher acaba se tornando viúva e sem nenhum dinheiro, uma vez que a única condição para que ela possa receber a herança de seu falecido marido é se casar novamente, pois os homens da pequena cidade acreditam que Emma não tem a capacidade de administrar uma grande quantia de dinheiro.

“James declarou, extremamente aborrecido, sem saber se era pelo discurso bombástico do juiz ou pelo fato de o barman ter admitido que propusera casamento a Emma."

Apesar de não querer se casar novamente, Emma não consegue evitar os cortejos dos homens da ilha, que sonham com a possibilidade de se casar com ela e conseguir uma quantia razoável de dinheiro. Ela tem coisas mais importantes para se preocupar e lidar, como o seu trabalho na escola local e os seus esforços para manter o local aberto visto que a estrutura da construção está fragilizada. E além de todas essas coisas que precisa lidar, Emma se reencontra com o conde James Denham (primo de Stuart).

Da última vez em que estiveram juntos James quase estragou o plano de fuga entre seu primo e Emma, o que causou certos atritos entre eles. A viúva foi surpreendida por aquela visita inesperada de James, que estava em Fraires para levar os restos mortais de seu primo de volta para a Inglaterra para que ele seja enterrado no mausoléu da família. Sem contar que ele tem esperanças de convencer Emma a voltar junto dele, deixar a vida precária que leva naquela ilha de uma vez por todas. 
“Naquela altura, sob a luz da vela, James entendeu que não faria diferença se Emma usasse um vestido de baile ou um penhoar. Em algodão simples ou na melhor seda, ela era a mulher mais bela que conhecera.”

O que eles mal podiam imaginar era que aquele encontro poderia trazer à tona sentimentos escondidos, além de segredos guardados a sete chaves. Não somente James ficará balançado com o encontro, assim como Emma que aos poucos vai aprender a olhá-lo de outra maneira. 

Como de costume esse é mais um dos livros da Meg que me conquistou, ela conseguiu criar um romance leve e com uma pitada de erotismo (algo que é comum nas obras que ela escreve usando o pseudônimo de Patricia Cabot). Depois que comecei a ler não consegui mais parar, estava muito envolvida com a história.

E apesar de se tratar de um romance de época gostei do fato dela ter abordado termas de reflexões atuais, como a opressão sobre a figura feminina. Emma é uma personagem forte e teimosa, não abaixando a cabeça e lutando pelo o que ela acredita (a escola que ela se dedica). Meg Cabot conseguiu construir personagens memoráveis e a química entre o casal era grande. 

Se você gosta de romances de época ou livros com um pouco de erotismo, "Pode Beijar a Noiva" pode ser uma ótima opção para se ler. Há anos eu desejava poder lê-lo e não fiquei decepcionada com o que encontrei, muito pelo contrário, acabou superando as minhas expectativas.
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Top 3 Séries Para Assistir


Nas férias de julho eu aproveitei para colocar as minhas séries em dia e também aproveitei para conhecer novas, então agora vou fazer uma listinha falando um pouco sobre essas séries que eu andei assistindo. Espero que vocês gostem das sugestões e sintam-se livres para me indicar novas séries!

1) OUTLANDER
O meu amor por Outlander começou por influência da minha Bea, eu via os tweets dela a respeito dessa série e não pude deixar de ficar curiosa. Também vi outras pessoas comentando maravilhas a respeito de Outlander e elas não poderiam estar mais certas sobre isso. Foi uma espécie de amor à primeira vista, maratonei a primeira temporada em uma questão de poucos dias e estou ansiosa pelo lançamento da terceira temporada! #ChegaLogoSetembro

"Claire Randall (Caitriona Balfe) é uma enfermeira em combate em 1945. Ela é misteriosamente transportada através do tempo e mandada para 1743, e sua vida passa a correr riscos que ela desconhece. Forçada a se casar com Jamie Fraser (Sam Heughan), um cortês e nobre guerreiro escocês. Um relacionamento apaixonado se acende, e deixa o coração de Claire dividido entre dois homens completamente diferentes, em duas vidas que não podem ser conciliadas."

2) LUCIFER
A sinopse de Lucifer me chamou muita atenção, não pude deixar de e sentir curiosa para ver como seria a vida do diabo aqui na terra, mais precisamente em Los Angeles. E devo dizer que fui surpreendida com a maneira que Lucifer vive a sua vida em meio aos humanos, é algo que nunca poderia ter imaginado. Ele possuiu uma personalidade bem singular e eu gostei de ver como o personagem foi mudando ao longo da primeira temporada.

"Entediado e infeliz como o Senhor do inferno, Lúcifer abdica de seu trono e abandona seu reinado para viver na atordoada Los Angeles. Lá, ele dá início a outro empreendimento: ele abre um Piano-Bar chamado Lux."

3) Agents of S.H.I.E.L.D.
Para os leitores aqui do blog não é nenhuma novidade que eu sou uma grande fã dos filmes da Marvel, além das séries originais que a Netflix vem fazendo. E depois de terminar de assistir Agent Carter eu resolvi dar uma chance para Agents os S.H.I.E.L.D. e essa série me conquistou desde o primeiro episódio. As cenas de ação dinâmicas, a oportunidade de rever personagens antigos e novos personagens que me conquistaram por completo... todos esses fatores fizeram que eu gostasse da série!

"Após os acontecimentos em Nova York, retratados em Os Vingadores, a S.H.I.E.L.D. (Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão) deve mobilizar seus integrantes para solucionar vários casos relacionados com super-heróis. A equipe é liderada pelo agente Phil Coulson."
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Planeta dos Macacos: A Guerra (Crítica Sem Spoiler)

"Humanos e macacos cruzam os caminhos novamente. César (Andy Serkis) e seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel (Woody Harrelson). Depois que vários macacos perdem suas vidas no conflito e outros são capturados, César luta contra seus instintos e parte em busca de vingança. Dessa jornada, o futuro do planeta poderá estar em jogo."

Ao longo da trama acompanhamos o drama que os humanos e os macacos enfrentam em um  conflito contante, mas quando a família do líder Caesar (Andy Serkis) é ferida a situação acaba se tornando mais pessoal. É como se tivesse atingindo o seu ápice. E a busca de um lugar seguro pelos macacos acaba se tornando ainda mais constante, uma vez que a guerra está os desgastando.

E é nesse momento crucial em que Ceasar se vê divido entre levar o seu bando para um local seguro ou procurar o coronel (Woody Harrelson) em busca de uma vingança pessoal. A guerra deixa de ser uma luta do bem contra o mal e passa a assumir um patamar ainda maior.
Em "Planeta dos Macacos: A Guerra" podemos perceber a notável evolução do personagem Ceasar, que está mais articulado, sendo capaz de falar quase como um humano. Também podemos perceber os seus sentimentos conflitantes, principalmente em relação ao coronel, e graças a tecnologia de ponta usada nesse filme podemos captar cada reação expressa no rosto de Ceasar, que é carregada de sentimento. Isso mostra o grande talento de Andy Serkis, que consegue emocionar qualquer um apenas como um olhar.

Enquanto o elenco que empresta os movimentos aos animais digitais são capazes de emocionar com apenas um olhar, o elenco humano é mostrado de uma maneira mais robótica e sem deixar transparecer seus sentimentos. Temos um vilão extremamente frio que serve para mostrar como as pessoas perderam a sua humanidade — o que é um grande contraponto com a personagem Nova (Amiah Miller), uma vez que a jovem garota possui uma condição primitiva e inocente, uma alusão ao bom selvagem; enquanto o personagem de Woody Harrelson retrata a decadência do homem civilizado. Vemos uma clara humanização dos animais e a desumanização das pessoas.
E guerra não é vista como algo glorioso para os personagens, muito pelo contrário, ela acabou se tornando essencial para a sobrevivência de uma das espécies.

O filme "Planeta dos Macacos: A Guerra" é um filme que possui excelentes cenas de ação, todas muito dinâmicas e ótimos efeitos especiais, mas o filme não para por ai sendo capaz de gerar uma reflexão. Esse foi um filme que acabou superando as minhas expectativas. Então, se você ainda não assistiu "Planeta dos Macacos: A Guerra" vá até o cinema mais próximo da sua casa!

Ficha Técnica
Título: Planeta doa Macacos: A Guerra
Duração: 2h20min
Direção: Matt Reeves
Gênero: Ficção científica, Ação, Aventura
Elenco: Andy Serkis, Woody Harrelson, Steve Zahn, Karin Konoval, Terry Notary, Amiah Miller, Judy Greer,, Michel Adamthwaite

Curiosidades:
1) Baseado no livro La Planète des Singes, de Pierre Boulle.
2) O personagem Nova é uma alusão à Nova do filme original de 1968. Ambas não falam e recebem esse nome pelos protetores.
3) Percebe-se o desenvolvimento de Caesar quando, neste filme, ele consegue falar quase como um humano.
4) Andy Serkis e Terry Notary trabalharam juntos em Kong: A Ilha da Caveira (2017).
5) O objeto em forma de "x" que os humanos utilizam para amarrar os macacos possui o mesmo design de Planeta dos Macacos (1968).
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Resenha: A Viajante do Tempo (Outlander #1)

Título: A Viajante do Tempo (Outlander #1)
Autor(a): Diana Gabaldon
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 800
Classificação: 5/5

O meu primeiro contato com a série Outlander (ela tá disponível na Netflix, não perca tempo e vai logo assistir) foi incrível, com uma trama bem envolvente e com ótimos personagens foi impossível não gostar de Outlander, eu passei a amar essa série desde o primeiro episódio. E depois de terminar assistir as duas temporadas eu resolvi dar uma chance para os livros, e assim como a série acabei me encantando completamente pela história criada por Diana Grabaldon.

"Em 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, a enfermeira Claire Randall volta para os braços do marido, com quem desfruta uma segunda lua de mel em Inverness, nas Ilhas Britânicas. Durante a viagem, ela é atraída para um antigo círculo de pedras, no qual testemunha rituais misteriosos. Dias depois, quando resolve retornar ao local, algo inexplicável acontece: de repente se vê no ano de 1743, numa Escócia violenta e dominada por clãs guerreiros. Tão logo percebe que foi arrastada para o passado por forças que não compreende, Claire precisa enfrentar intrigas e perigos que podem ameaçar a sua vida e partir o seu coração. Ao conhecer Jamie, um jovem guerreiro das Terras Altas, sente-se cada vez mais dividida entre a fidelidade ao marido e o desejo pelo escocês. Será ela capaz de resistir a uma paixão arrebatadora e regressar ao presente?"

Escócia, 1945

A Segunda Guerra Mundial foi um período difícil para muitas pessoas, não? Para a destemina enfermeira Claire Beauchamp, esse foi um período em que passou afastada de seu marido Frank Randall de modo que ele parecesse um completo estranho para ela. Para poderem se reconectar depois de passar tantos anos longes um do outro nada melhor do que uma segunda lua de mel, essa parece à oportunidade para Claire e Frank retornarem com a vida que levavam antigamente, quem sabe até mesmo uma oportunidade para formar uma família.

Eles vão para Inverness, uma cidadezinha que fica na Escócia. Além de ser um bom local para uma segunda lua de mel, também é a oportunidade perfeita para Frank poder pesquisar um pouco mais sobre sua linhagem. Por ser um historiador ele possuía um grande interesse e curiosidade em saber sobre seus antepassados. Enquanto Frank fica ocupado para descobrir mais sobre Jack Randall, também conhecido como "Black Jack" — um de seus parentes que era bastante conhecido naquelas localidades por meado de 1730 —, Claire passa o seu tempo estudando botânica — o seu novo hobbie — e conhecendo novas espécies de plantas. 

"Você esquece a sua vida após um tempo. Coisas que lhe são queridas são como um colar de pérolas. Corte-o e elas se espalham pelo chão, indo para cantos escuros, não sendo mais encontradas. Então você segue em frente. E um dia acaba esquecendo como as pérolas eram."

Acontece que em Inverness está se comemorando um feriado importante, de modo que Frank resolve ir com sua esposa observar, ou melhor, bisbilhotar, um ritual druida que iria acontecer em Craigh na Dun, o famoso círculo de pedras. Ao observar aquelas mulheres fazendo tal ritual, Claire imediatamente sentiu que não deveria estar ali. Era como se houvesse uma fonte poderosa de magia ali e ela e seu marido não eram dignos de observar tal ritual, afinal de contas ambos eram forasteiros.

Contudo, o que Claire não podia imaginar era que ao retornar a Craigh na Dun  no dia seguinte para obter mais informações sobre uma flor sua vida iria mudar completamente. Ela mal imaginava que estava prestes a embarcar em uma viagem.
Escócia, 1743

"Parecia inconcebível, mas todas as evidências indicavam que eu estava em um lugar onde os costumes e a política do final do século XVIII ainda vigoravam. Eu teria imaginado que tudo não passava de algum tipo de espetáculo à fantasia, se não fosse pelos ferimentos do jovem a quem chamam de Jamie."

Ao encostar na pedra, Claire é transportada para o ano de 1743. Atordoada sem saber o que tinha acontecido, nem mesmo tendo noção da viagem temporal, ela se vê sozinha naquela confusão. Claire até tenta retornar para o local onde tinha estacionado o seu carro, mas é uma tentativa em vão. E como se não fosse o bastante ela acaba se envolvendo em um conflito entre os escoceses e os ingleses, além de se deparar com o temível Jack Randall.

Em um só dia ela fez uma viagem temporal para o passado, quase foi assassinada e estuprada. A sorte de Claire é quando ela se depara com alguns homens do clã McKenzie, ganhando um abrigo no castelo Leoch. Sua habilidade como enfermeira permite que ela possa ajudar as pessoas, incluindo Jamie, um guerreiro das Terras Altas.

"— Ah, sim, Sassenach — respondeu ele, um pouco melancolicamente. — Eu sou seu senhor... e você é minha senhora. Parece que não posso possuir sua alma sem perder a minha."

Para se adaptar a essa noca época, Claire vai precisar se esforçar e se lembrar constantemente que não está mais no ano de 1945. Sem contar que a Escócia, em 1743, ela corria um grande perigo por ser uma inglesa em meio a um conflito entre os ingleses e os escoceses. Sendo assim, retornar para sua casa e para Frank parece ser algo cada vez mais difícil, até mesmo levando em conta que é preciso lutar contra atração que tem por Jaime.

A primeira coisa que eu percebi lendo "A Viajante do Tempo" foi como a série estava fiel ao livro, e para qualquer leitor não há nada melhor do que ver um filme ou série que seja fiel a obra (nem preciso dizer que nesse quesito a adaptação de Percy Jackson foi um desastre completo). Desde os pequenos detalhes até os maiores estavam perfeitos, e enquanto lia não podia deixar de pensar no Sam Heughan e na Caitriona Balfe que deram vida ao Jamie e à Claire.

Simplesmente me apaixonei por esse universo criado por Diana Grabaldon. Com uma escrita extremamente detalhada pude imaginar com facilidade os locais, isso tornou a narrativa ainda mais rica. Se você gosta de romances de época não pode deixar de ler "A Viajante do Tempo", assim como os outros volumes da série. Você vai se envolver pela história do livro, pelo romance entre Claire e Jamie, esse livro é simplesmente irresistível! Uma vez que se começa a ler não dá mais vontade de parar.
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Resenha: Tudo e Todas as Coisas

Título: Tudo e Todas as Coisas
Autor(a): Nicola Yoon
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 280
Classificação: 5/5

Durante certo tempo ouvi as pessoas comentarem a respeito desse livro da Nicola Yoon, que até ganhou um filme. Não pude deixar de ficar curiosa a respeito dessa história uma vez que tinha vários comentários positivos, e foi assim que eu resolvi ler "Tudo e Todas as Coisas". 

"Tudo envolve riscos. Não fazer nada também é arriscado. A decisão é sua.

A doença que eu tenho é rara e famosa. Basicamente, sou alérgica ao mundo. Não saio de casa. Não saí uma vez sequer em 17 anos. As únicas pessoas que eu vejo são minha mãe e minha enfermeira, Carla.

Então, um dia, um caminhão de mudança para na frente da casa ao lado. Eu olho pela janela e o vejo. Ele é alto, magro e está todo de preto: blusa, calça jeans, tênis e um gorro que cobre o cabelo. Ele percebe que eu estou olhando e me encara. Seu nome é Olly.

Talvez não seja possível prever tudo, mas algumas coisas, sim. Por exemplo, vou me apaixonar por Olly. Isso é certo. E é quase certo que isso vai provocar uma catástrofe."

No livro conhecemos a história de Madeline, uma jovem de 18 anos que por conta de sua doença não pode sair de casa. Ela possui uma imunodeficiência muito grave. Basicamente Madeline tem alergia ao mundo, sendo assim a sua casa é o único ambiente seguro em que ela pode estar — é toda equipada e esterilizada para evitar que ela possa ter uma reação alérgica que possa a levar a morte. As únicas pessoas com quem ela mantém contato é sua mãe superprotetora, que também é médica, e sua enfermeira, Carla.

Por conta de sua doença os dias de Madeline são praticamente os mesmos, uma rotina tão metódica que não tem exceção para surpresas. Somente em seu aniversário que a garota e sua mãe tiram o dia para fazer tudo junto, mas tudo dentro de casa como de costume. O mundo é um grande perigo e Madeline não pode arriscar a sua vida, já é um verdadeiro milagre ela ter conseguido atingir os 18 anos de idade.
"— O que você pediu? — pergunta ela assim que abro os olhos. Só existe uma coisa que eu possa desejar: uma cura milagrosa que me permita correr lá fora, livre como um animal selvagem. Mas nunca peço isso, porque é impossível. É como pedir que sereias, dragões e unicórnios existam de verdade. Então, peço alguma coisa mais provável do que a cura. Alguma coisa que não nos deixe tristes ao ser dita. — A paz mundial — respondo."

A vida da jovem acaba virando uma reviravolta quando uma família se muda para a casa vizinha. Madeline passa o o seu dia observando a rotina de seus novos vizinhos, se pegando atenta ao detalhes. O membro que mais lhe chama atenção é um rapaz alto, magro e que usa roupas pretas. O seu nome é Olly

Depois de tanto tempo apenas observando pela janela Madeline e Olly começam a desenvolver uma amizade. Eles trocam algumas mensagens pelo chat do e-mail, a única forma possível uma vez que Maddy não pode sair de sua casa e nem Olly pode a visitar. Porém, é inevitável evitar que uma forte conexão se estabeleça entre eles, algo tão forte ao ponto de Madeline querer deixar a proteção de sua casa para trás apenas para poder o conhecer. O mundo não é mais o seu maior perigo, e sim o amor já que está certa que irá acabar saindo dessa história com o coração partido.

"Madline: Não sou princesa. 
Madline: E não preciso que ninguém venha me salvar. 
Olly: tudo bem. também não sou um príncipe 
Madline: Você me acha bonita? 
Olly: para uma princesa fantasma espiã de contos de fadas? claro que acho."

Inicialmente quando li a sinopse do livro eu estava imaginando algo muito parecido com a "A Culpa é das Estrelas", até mesmo acabei julgando a ideia como algo bastante clichê. Apesar disso resolvi ler "Tudo e Todas as Coisas" e no final da leitura percebi que de semelhança com ACEDE é mínima, a única coisa em comum é uma jovem com uma doença mortal. O livro de Nicola Yoon foi surpreendente. 

A leitura foi completamente envolvente, depois que comecei a ler não consegui mais parar. Consegui entender o porquê de tantos comentários positivos a respeito de "Tudo e Todas as Coisas". Nicola Yoon conseguiu construir um plot twist surpreendente, algo que eu nunca teria conseguido imaginar e que render a originalidade da história.
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Resenha: Outros jeitos de usar a boca

Título: Outros jeitos de usar a boca
Autor(a): Rupi Kaur
Editora: Planeta Brasil
Número de páginas: 208
Classificação: 5/5

Eu não sou uma grande fã de poesias, mas, às vezes, encontro livros que me chamam tanta atenção que eu resolvo sair da minha zona de conforto lendo algo desse gênero. Fiquei sabendo do livro "Outros jeitos de usar a boca" através de um vídeo da Jout Jout, e não demorou para que mais pessoas começassem a ler e comentar sobre. Como li várias críticas positivas eu resolvi dar uma chance para o livro.

"'outros jeitos de usar a boca' é um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume é dividido em quatro partes, e cada uma delas serve a um propósito diferente. Lida com um tipo diferente de dor. Cura uma mágoa diferente. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza deles. Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia – e que também assina as ilustrações presentes neste volume –, o livro se tornou o maior fenômeno do gênero nos últimos anos nos Estados Unidos, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos."

O livro é uma coletânea de poemas escritos por Rupi Kaur, eles abordam temas sobre o amor, a feminilidade, a perda, o abuso e até mesmo a violência. E ele é dividido em quarto partes: a dor, o amor, a ruptura e a cura.

A DOR
"você
cresceu ouvindo
que suas pernas são
um pit stop para homens que
procuram um lugar para repousar
um corpo vazio desocupado o bastante
para receber hóspedes mas
nenhum chega
disposto a
ficar"
Essa fase começa ainda na época da infância quando nós, mulheres, somos ensinadas a amar errado. Confundimos a violência com uma forma de carinho e proteção. Somos ensinadas a priorizar a felicidade das outras pessoas. As princesas fazem de tudo por seus príncipes e assim nós somos criadas.  

O AMOR
"só de pensar em você
minhas pernas abrem espacate
como um cavalete com uma tela
implorando por arte"
Quem nunca sonhou com o amor verdadeiro? Com uma relação intensa? O amor pode ser totalmente lindo e sonhador, porém bem sempre é recíproco. O amor também doí e machuca, mas não conseguimos viver sem ele.

A RUPTURA
"ele só sussurra eu te amo
quando desliza a mão
para abrir o botão
da sua calça

é aí que você tem
que entender a diferença 
entre querer e precisar
você pode querer esse menino
mas você com toda a certeza
não precisa dele"
Chega um momento em que é preciso colocar um fim em determinadas coisas. Essa ruptura parece despedaçar por inteiro, machucando ainda mais. E é com o tempo que aprendemos a amar algo muito mais importante: nós mesmas.

A CURA
"gosto de ver como as estrias
das minhas coxas são humanas
e como somos tão macias porém
ásperas e selvagens
quando precisamos
adoro isso na gente
como somos capazes de sentir
como não temos medo de romper
e de cuidar das nossas dores com classe
só o fato de ser mulher
dizer que sou mulher
me faz absolutamente plena
e completa"
E assim chegamos na última parte do livro. Estamos curadas. Nos reerguemos das cinzas para viver, como uma fênix. Estamos curadas de toda opressão, dos amores errados que tivemos em nossas vidas. Estamos curadas da procura pela nossa alma gêmea, nossa cara metade em outra pessoa, quando sabemos que devemos ser inteiras.

Quando eu acabei "Outros jeitos de usar a boca" fiquei sem palavras. Me encantei com a escrita de Rupi Kaur, o modo poético que ela utilizou para escrever sobre seus sentimentos, sobre suas dores, alegrias, amores e tristeza. A autora foca em pontos sensíveis do que é ser mulher. O livro também é carregado por um forte empoderamento.

Essa foi uma leitura rápida, mas bastante reflexiva que me encantou da primeira a última página. Se você é mulher eu recomendo que você leia esse livro. Eu estou nesse livro, você está nesse livro. O meu pai, a minha mãe e as outras mulheres da minha família também. O meu namorado está nesse livro assim como os homens que eu já beijei. É impossível não se identificar em alguma parte dessa leitura.
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